Acho

Humanos Senhores de si e senhores de outros E amantes do achar Todas as manhãs, quando acordam, Lá vão eles, achar Acham sobre acordar, acham sobre se levantar E acham mesmo que acham Juro, tipo assim: espontaneamente Tomam para si conceitos Conquistam teorias E dedicam-se mesmo a sério a isto de achar Sem nunca descansar Há uns que nem lhe chamam achar Chamam-lhe ter a certeza de Adoráveis, acho que quero um para mim Para me poder entreter com o seu paleio de achador De sabedor De intelectual De filósofo rei De humano que se fez Deus Por um dia duvidar

10 visualizações0 comentário

Posts recentes

Ver tudo

Beija-flor

Escrevo um verso. Caso lhe chame poesia Não o será, nunca Se escrever três versos Em que renuncio E escrevo uns outros a anunciar Torno-os dispersos Perco o pio E fico a ressacar

Florir

Seria irónico descrevê-la distante Mas se é lá que eu a vejo Brilhante, sempre brilhante Brilho do qual só recebo lampejos Não sei porque a ambiciono Porque haveria eu de saber alguma coisa? Por cada

Al-Cácer, que havia de vir

Alcácer Quibir Fecho os olhos Vejo as horas E lá está ele Como que à minha espera Quimera de tão inocente ocorrência De tão farto relato E tão aborrecida e inquietante despreocupação Dessa tão boa alm