Al-Cácer, que havia de vir

Alcácer Quibir

Fecho os olhos

Vejo as horas

E lá está ele


Como que à minha espera

Quimera de tão inocente ocorrência

De tão farto relato

E tão aborrecida e inquietante despreocupação

Dessa tão boa alma lusitana

Que tão alto se canta

(Vá, talvez alto demais)


Sebastião

Perdão, D. Sebastião

Como que gaiato à busca de gambozinos

Ou encarnando a mais pura noção de pátria

Lá vai, destinado a África

Procurar contento

Nas árabes (an)danças


E os poetas aqui o esperaram

Com a pena pronta

A tinta solta

Mas o herói não chegaria


Mas não é que,

Oh, meu caro leitor

banhista ocidental,

Ainda os mesmos poetas esperam

Com a mesma esperança

O retorno do pobre moço a Portugal


Quando li

"Alcácer Quibir"

E as mesmas palavras me contaram

Que decerto ecoariam pelo espírito lusitano

Quis acreditar, como tantos acreditaram

De mão na bíblia, ou na constituição

Ou que lá inventem

O digo


De qualquer modo

Quando me abandona esse esplendor lírico do mais alvo e cândido integralismo nacional

Quando se me esquecem Pessoas e Floresbelas do meu mítico Portugal

Tudo o que sobra é o povo


E o povo

Se se recorda

É muito mal

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