Copo de água

Foi-me roubado esse mundo

Em que um copo de água derrubado numa mesa

Não passa de um copo de água

Derrubado numa mesa

Sem constatações


Apenas um copo de água

Horizontal, e então?

Não deixa de ser

Também tem o direito de ser derrubado

Não tem é direito à reflexão

Que culpa tem que o personalizemos?

Que os homens sejam reféns do abstrato

Que romanceemos tudo à nossa volta

Por uma surpresa infantil cada vez que nos achamos vivos

E a vida não é mais que uma das coisas que hão de acontecer

E os acontecimentos não existem em infinito

Porque o infinito é só, nisto de existir

Nisto de existir, todos os outros desistiram

Então não é verdade que a nossa periferia é a periferia?

Os outros que nunca fomos nós

E por isso aqui nos encontramos

Tu, eu, este verso

Que é penúltimo

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