Mais um dia de inverno

Mais um dia frio, mais um dia chuvoso e mais um dia de inverno.

Mas a chuva cai sobre uma paisagem verde, com laranjas a despontar, é ela que torna o verde vivo e as laranjas sumarentas.

Apesar de todo o bucolismo, nem a chuva, nem o verde, nem o laranja, a paisagem não escapa à intrusão de cabos humanos, formando um labirinto elétrico um tanto ou quanto aborrecido.

Por de baixo de todo o aparato, casas. É claro, a quem pertenceriam as laranjas senão àqueles que as comem e a quem pertenceriam os fios de eletricidade senão àqueles que a consomem. Casas, de vários feitios e de épocas várias, lembrando ora as laranjas, ora os cabos. Ora, as laranjas e a chuva lembram-lhes que o inverno chegou, um dia de cada vez, gota a gota, laranja a laranja, e traz o verde como paisagem.

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