Movimento da História

O movimento da História passa por mim

Atinge-me com as suas preocupações e ações concretas

Materiais, e deixa ideias esborratadas

Arranca-me pensamentos e atos

Ao longe, no seu vulto apressado

Identifico no seu regaço

As conquistas, os fracassos

As memórias individuais e os contos vencedores

Estudados por coletividades vencidas

Embaladas pelos momentos dos movimentos

Do eterno e sagaz

Movimento da História que por mim passa

De cabeça quente, pensado por cabeças frias

Estudiosas do como oprimir

Pensadoras do como libertar

Como subjugar massas à passividade

Para continuarem educadas e caladas

Inertes no decorrer

E no veloz correr do movimento da História

Que não passa

Não ultrapassa o egoísmo de quem o quis para si

A estupidez de quem ao deus-dará o lançou

Ignorando quem nele lutou, quem nele sangrou

Os homens e mulheres e crianças e seres do mais diversos

Que pelos outros

E por nós, com certeza

Sacrificaram o seu movimento

Em nome do tão certo movimento da História

Que torna incerto o sofrimento

Torna insegura a exploração

Enquanto passar

Enquanto sangrar

Enquanto houver luta

A luta, senhores

Que abre pele, que relembra aos alienados

Que estamos aqui!

Nunca daqui sairemos

Quando nos disserem para sair

Não saímos, invictos, inertes

Embalados pelo movimento que nos deu vida

Nos deu vida para morrer por ela

Quem disse?

Quem falou?

Que se oponham, que se levantem como cobardes que são

E digam: Não, não, que isto não pode ser assim!

Deixem-nos viver sossegados, não perturbem a nossa domesticação

Quem gosta de acordar?

Quem é que se levanta da cama e em todo o pulmão

Com todo o pulmão grita: Estou vivo! Acordei!

Esmurrem-me, espezinhem-me

Façam-me ver que nunca fui mais que um número

Que a revolta é fútil e que a vida não serve para mim

Sim! Sim, encostem-me

Desiludam-me e munam-me de armas para desiludir os iludidos

Desmobilizar um movimento que não tem fundamento

Que se fomenta na enorme tormenta

Da sentença do movimento da História

Na crença de que há melhor

Há pão, há paz, há terra

Há pessoas dispostas a lutar

Por pão, paz e terra

E há esta vontade enorme

De cravar o nome

No imparável

Movimento da História

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