O que a minha poesia diz

Falha minha achar que achariam o que queria que achassem Sem o dizer explicitamente Aqui está, O que a minha poesia diz É que são burros Tão burros que até dói Vocês, exatamente Esqueço-me sempre que são burros sempre que vos digo quão burros são E por isso continuam na ignorância Da vossa própria ignorância Burros Incapazes de se distanciar da vossa pessoa Com medo que a roubem ou não sei Incapazes de sentirem sentimentos alheios Intérpretes inúteis do que não sai da vossa boca Jumentamente teimosos a confiarem nos vossos julgamentos estúpidos De criança nascida na véspera No mundo óbvio que vos apresentaram E de que não abdicam nem em sonho Nem a imaginar Nem a escrever a porcaria de um poema largam a vossa presunção e descem ao mundo em que vivem Mesmo ao escrever não deixam de escrever as palavras que vêm no dicionário Nem um verso deixam isolar de outro que o complemente Porque vocês é que sabem Vocês é que existem Não hei eu de desagradar a vossas excelências, donas do universo que criaram para vós No interior das vossas lindas cabeças Penteadas em conformidade com o padrão e gosto atual ou o que se lhe oponha disciplinada mente E sabem que não há como fugir a isso Porque tudo o que existe já existiu E o que existirá ainda está por vir Então, limitam-se a vocês, às vossas regras e rotinas Pensam que um dia hão de mudar e a vossa mutação mudar o mundo E sonham com novos planetas e o criar de novo Agora não em uma semana mas numa quinzena, para durar mais E sonham tudo isto a sonhar, enquanto escrevem como todos são burros.

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