Poetas

Há pior parasita que um poeta? É que o mundo cansa-se a existir A natureza cria verdes e cores Genis e fórmulas As pessoas vivem (e como vivem elas!) O povo fala e expele palavras, sabedoria O feliz dança O triste chora Os sabidos guerrilham Os generais guerreiam Tudo acontece, tudo se diz e tudo se sente E tudo para um traste com ares de profundidade Ver tudo isto e expropriar violentamente Inventa o Universo, descobre as palavras e cria as epopeias Sanguessugueia experiências e sonhos E com eles abre corações que não lhe pertencem Porque nada do existir lhe pertence É um abutre E não o devemos permitir Aliás, não permito E este verso também

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Escrevo um verso. Caso lhe chame poesia Não o será, nunca Se escrever três versos Em que renuncio E escrevo uns outros a anunciar Torno-os dispersos Perco o pio E fico a ressacar

Florir

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Al-Cácer, que havia de vir

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