Simplesmente

Ah palavras bonitas Que compõem esse senso comum que adotamos por adotar Nesta vida que vivemos por viver Confortavelmente moderados e conformadamente escravos Dessas ideias bonitas que vimos formarem-se no céu azul Projetado num quadro pela professora que nos ensinou a amar. Vós não sois homens Homens comem, homens berram, homens choram, homens revoltam-se, homens sonham Homens vivem e existem Homens amam apenas porque são homens Amam por não saber sequer o que é amar Amam-se, e amam amar Como homens que são Não como homens que dizem ser Não como homens ensinados a serem homens Mas humanamente homens Por serem homens, duvidam de o ser Por serem homens, duvidam de duvidar Só são porque acham que não são Só são porque não sabem o que achar E vós? Vós não sois, simplesmente

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Escrevo um verso. Caso lhe chame poesia Não o será, nunca Se escrever três versos Em que renuncio E escrevo uns outros a anunciar Torno-os dispersos Perco o pio E fico a ressacar

Florir

Seria irónico descrevê-la distante Mas se é lá que eu a vejo Brilhante, sempre brilhante Brilho do qual só recebo lampejos Não sei porque a ambiciono Porque haveria eu de saber alguma coisa? Por cada

Al-Cácer, que havia de vir

Alcácer Quibir Fecho os olhos Vejo as horas E lá está ele Como que à minha espera Quimera de tão inocente ocorrência De tão farto relato E tão aborrecida e inquietante despreocupação Dessa tão boa alm