Volta

Estás à espera de refúgio?

Não, não

Não escapas

Tu vives, sim, sim

E um dia hás de morrer, mortal

Numa morte que nunca te há-de ressuscitar

E, se queres que te diga, ainda bem

Que este mundo tem paciência curta


Por falar em mundo

Olha à tua volta,

Pois é, pois é,

Existes

E tu sabes bem que existir é para fracos

Tens problemas, de certeza que tens

Mais do que tu querias,

Mais do que é suposto,

Mais que os outros

Mas isso seria o menos

Se não fosses um ser tão mesquinho

Tão medíocre

Eu diria até o pior dos seres

Sim, tu

Tu mesmo

Não é o leitor

És tu!

Tu, eu

Eu, tu

Nós


E se por acaso este poema não te serviu de abre-olhos

Servirá agora que acaba.

5 visualizações0 comentário

Posts recentes

Ver tudo

Beija-flor

Escrevo um verso. Caso lhe chame poesia Não o será, nunca Se escrever três versos Em que renuncio E escrevo uns outros a anunciar Torno-os dispersos Perco o pio E fico a ressacar

Florir

Seria irónico descrevê-la distante Mas se é lá que eu a vejo Brilhante, sempre brilhante Brilho do qual só recebo lampejos Não sei porque a ambiciono Porque haveria eu de saber alguma coisa? Por cada

Al-Cácer, que havia de vir

Alcácer Quibir Fecho os olhos Vejo as horas E lá está ele Como que à minha espera Quimera de tão inocente ocorrência De tão farto relato E tão aborrecida e inquietante despreocupação Dessa tão boa alm